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Produzir morango em Hidroponia

Produzir morango em Hidroponia

O morangueiro é uma das principais plantas cultivadas em Hidroponia, perdendo apenas importância somente para a alface. O morangueiro é uma planta herbácea estolonífera, perene, com um cale semi-subterrâneo, conhecido como coroa (cale modificado). A medula é muito suscetível às geadas. Há medida que a coroa envelhece pode originar de 8 a 10 novas coroas laterais.

O morangueiro possui cales que se desenvolvem a partir das gemas basais das folhas, crescem sobre a superfície do solo e têm a capacidade de emitir raízes e dar origem a novas plantas.

As flores são hermafroditas. O cálice é formado por brácteas unidas na base. As pétalas são livres, lobuladas, brancas ou avermelhadas, dispostas ao redor do receptáculo proeminente, o qual, após a fecundação dos pistilos, se transforma no "morango". Desta forma os morangos são frutos falsos.

O morangueiro é cultivado sob várias formas: no solo, com ou sem cobertura plástica, em túneis baixos ou em estufas, ou em hidroponia, com ou sem substrato. O sistema de hidroponia em substrato é conhecido como semi-hidropônico.

O cultivo do morango é desenvolvido, em grande parte, por agricultores familiares que possuem pequenas áreas de cultivo. A necessidade da rotação de culturas aliada à maior conscientização do produtor de morangos quanto aos riscos do uso indiscriminado de pesticidas, têm motivado uma pesquisa por novas maneiras de cultivo para dar continuidade às suas atividades. Uma alternativa para contornar esse problema é produzir morangos num ambiente protegido como a hidroponia onde é reduzida a incidência de pragas e doenças da parte aérea da planta.

O cultivo protegido também evita os danos causados pela ocorrência de chuvas e geadas em locais com invernos mais rigorosos. Neste sistema, o morango é produzido com substrato artificial sem contaminação por fungos fitopatogênicos e com fertirrigação (sistema semi-hidropônico). Esta alternativa é de grande importância para os produtores, pois assegura a rentabilidade da atividade, reduzindo a aplicação de pesticidas na cultura.

Estufa para morango em hidroponia

O cultivo do morango é maximizado em estufas em ambiente protegido. Os ambientes protegidos são aqueles que propiciam um microclima adequado ou próximo ao ideal para o desenvolvimento das culturas. As estufas podem ser pequenas, cobrindo somente uma bancada, ou podem ser grandes e cobrir várias bancadas.

No cultivo do morangueiro, os modelos de  estufas  mais utilizados são: túneis baixos, túneis médios e túneis altos. Estes túneis também podem ser chamados de estufas.

Características do Sistema Semi-Hidropônico

O sistema semi-hidropônico é bastante utilizado na Europa, onde é escolhido por possibilitar uma melhor utilização do espaço. No Brasil, por exemplo, é necessário definir alguns componentes tecnológicos para otimizar o retorno ao produtor e à sociedade. Entretanto, já existem vantagens claras em comparação ao sistema convencional, tais como:

  • O produtor não necessita fazer rotação das áreas de produção, prática necessária para reduzir a podridão de raízes no sistema convencional de túneis baixos, desta forma, pode triplicar o potencial de uso da área de terra;
  • Os trabalhos podem ser realizado em pé, o que favorece a contratação de mão-de-obra;
  • O novo ciclo de produção é estabelecido com a troca do saco plástico e do substrato a cada dois anos, o que auxilia na redução da incidência de podridões na cultura. Se ocorrerem podridões, elimina-se somente o saco infectado e não toda a área de produção;
  • O sistema protege as plantas do efeito da chuva e facilita a ventilação, condições que impedem o estabelecimento de doenças;
  • Como há menor pressão de doenças, o uso de pesticidas pode ser substituído por práticas naturais, uso de agentes de controle biológico e produtos alternativos, reduzindo drasticamente o risco de contaminação dos frutos, sem afetar a rentabilidade da produção;
  • Permite a produção de frutas com maior qualidade e menor perda por podridão;
  • O período da colheita pode ser estendido em, pelo menos, dois meses;
  • O sistema facilita a adoção de princípios de segurança dos alimentos, possibilitando a maior aceitação dos morangos pelo consumidor.

Substrato utilizado em Hidroponia

O substrato serve como suporte onde as plantas fixarão as raízes, o mesmo retém o líquido que disponibilizará os nutrientes às plantas. Um substrato, para ser considerado ideal deve apresentar características como:

  • elevada capacidade de retenção de água, tornando-a facilmente disponível;
  • decomposição lenta;
  • disponibilidade no mercado;
  • Baixo custo.

Existem vários tipos de materiais que podem ser utilizados para a formulação de substratos para o cultivo semi-hidropônico. Dos quais:

  • Fibra de coco;
  • Lã de rocha;
  • Perlite;
  • Turfa;
  • Casca de pinho.

Acondicionamento do Substrato

O substrato deverá ser acondicionado em embalagens de filme tubular, preferencialmente branco, disponível no mercado. Embalagens claras ajudam a evitar o aquecimento da água e, conseqüentemente, do substrato em seu interior, evitando que as raízes sofram algum dano devido ao aumento da temperatura em dias quentes.

As embalagens para o acondicionamento do substrato podem variar quanto ao tamanho e, consequentemente, quanto ao número de plantas que a mesma suportará. Os tamanhos mais utilizados são de 0,3 x 1 m de comprimento e 0,3 x 0,35 m, para comportar oito e quatro plantas, respectivamente.

As embalagens utilizadas com o sistema de irrigação por microgotejamento, após  colocado o substrato, possuem as seguintes dimensões: 0,3 x 0,35 x 0,10 m. O volume de substrato que cada embalagem acondiciona é de, aproximadamente, 8 L. Nessas embalagens pode-se plantar quatro mudas de morangueiro. Na parte inferior das embalagens são feitos furos para que ocorra a drenagem da água.

O uso de embalagens menores apresenta-se mais vantajoso, caso ocorra alguma doença, pois poucas plantas serão contaminadas e perdidas, e pouco substrato será descartado.

Embalagem com 8L de substrato, para quatro plantas

Mudas de morangos para hidroponia

Preparação das Mudas

A preparação das mudas é um processo muito cuidadoso.

Ao receber as mudas do viveiro, deve-se retirar as folhas cortando-as na haste, deixando estas hastes com 3 cm de comprimento. As raízes também deverão ser cortadas, deixando-as com 4 cm de comprimento.

Cultivo das Mudas

O cultivo das mudas deverá ser feito nas embalagens com o substrato previamente saturado. Após a saturação das embalagens são feitos orifícios, nos quatro cantos da embalagem, onde serão inseridas as mudas, devidamente preparadas. O espaçamento entre as plantas é de 0,20 m. É importante observar que as raízes não fiquem dobradas, ao serem plantadas na embalagem, pois isso poderá comprometer o crescimento da planta.

Somente após o cultivo é que deverão ser feitos os furos, embaixo das embalagens, para a drenagem da água que ficará retida no fundo.

Manuseamento das Mudas

Aos 15 dias após o cultivo, são observadas as primeiras flores. Para que as plantas cresçam e se desenvolvam bem, é necessário um desbaste contínuo destas flores até que as plantas apresentem cinco folhas. À medida que as plantas crescem é necessária a realização de limpezas periódicas, retirando-se as folhas que envelhecem ou que, porventura, possam apresentar alguma doença.

Todo material retirado deve ser acondicionado em sacos plásticos. À medida que estes ficam cheios devem ser retirados do local e colocados em covas que deverão ser cobertas por plástico incolor. A embalagem deverá ser manuseada com cuidado para não disseminar doenças que possam estar no seu interior, e enviada para reciclagem.

Irrigação

No cultivo protegido do morangueiro semi-hidropônico, em substrato artificial, utiliza-se a irrigação por gotejamento. A irrigação localizada tem como vantagens: alta eficiência de aplicação, economia de água, energia e mão-de-obra, permite automatização, fertirrigação e não interfere nos cuidados fitossanitários. Este sistema aplica água diretamente na região das raízes.

A qualidade da água é um fator importante na irrigação na hidroponia. Água de má qualidade poderá causar toxicidade nas plantas, e, se for suja, entupirá o sistema de irrigação, que é bastante sensível a partículas minerais e orgânicas.

A irrigação em hidroponia  pode ser feita de três maneiras:

  • com mangueira gotejadora que atravessa as sacolas que acondicionam o substrato, com espaçamento entre os gotejadores de 0,10 m;
  • com mangueiras e gotejadores instalados a cada 0,10 m;
  • com microgotejadores colocados, individualmente, para cada planta.

Neste último sistema acopla-se à mangueira de ½”, botões gotejadores, distribuidores, microtubos e estacas, cravadas próximas à planta, uma vez que são as responsáveis pelo gotejamento.

O tempo de irrigação, no sistema semi-hidropónico, normalmente é em torno de 2 a 5 minutos, sendo fornecido até 1 L de água por saco, por irrigação, dependendo da época do ano e da condição climática.

Outros equipamentos necessários são: um conjunto moto-bomba, reservatórios de água para a preparação da solução nutritiva e irrigação do sistema, um condutivímetro para medir a condutividade elétrica da solução e um medidor de pH  para medir o pH da solução.

Preparação da solução nutritiva

As soluções nutritivas para hidroponia podem ser adquiridas prontas no mercado ou ser formuladas por técnicos.

A condutividade elétrica (CE) dessas soluções iniciais (fase vegetativa e frutificação) deve ficar entre 1,4-1,5 mS/cm.

As aplicações dos nutrientes são realizadas semanalmente, no entanto a frequência de irrigação varia conforme a cultura.

Durante a fase reprodutiva faz-se a irrigação a cada 4 dias; na fase reprodutiva, dependendo da temperatura ambiental, é realizada a cada 1 ou 2 dias.

Bons cultivos ;)

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